O director do projecto Guimarães 2012 não concilia trabalho e vida pessoal. Apenas porque não o necessita de fazer. O que é trabalho é prazer. Um luxo ao qual poucos têm acesso. A área de Carlos Martins é a do norte e a das indústrias criativas. O seu espaço é a Fundação Cidade de Guimarães. E o resto do mundo.
Começa por estudar Economia no Porto. Em Barcelona especializa-se em Turismo Cultural e volta à Universidade do Porto para se doutorar em Geografia. O co-autor do estudo macroeconómico “Desenvolvimento de um Cluster de Indústrias Criativas no Norte de Portugal” é apaixonado por cultura e sabe do que fala quando o tema é gestão cultural. Começou na Opium, Lda no planeamento cultural e na mesma área passou pelo pelouro da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Hoje é patrão sem o ser. Colaboração é o modo de trabalho no Palácio Vila Flor, em Guimarães. Sem esquecer o humor matinal com que presenteia o espaço da Fundação.
O Festival Manta deu-lhe os quinze minutos de fama. A ele e a Ana Bragança, colaboradora na direcção do projecto. Depois de um breve curso de DJ proposto por ele à restante equipa, actuaram logo após a electrónica e o rock industrial do trio suíço Young Gods. Três horas de música com um vestuário a rigor: “uma espécie de underground londrino”, explica-nos Ana. A roupa preta a condizer o evento. Criatividade e a cultura no seu melhor.
Enquanto nos deliciamos com um espectáculo, Carlos trabalha para que o mesmo aconteça. Está atrás das cortinas muito antes de os artistas pisarem o palco. E para isso não distingue o fim-de-semana da semana, não há horário de trabalho e o tempo livre. Trabalha para que o público viva a arte e para que os artistas vivam as cidades que os acolhem. Trabalha na Fundação Cidade de Guimarães e em qualquer outro local onde tenha de estar. Presencialmente ou não, está sempre com os colaboradores, como a Ana Bragança nos revela: “só não trabalha vinte e quatro horas por dia porque dorme”. Trabalho que já passou pelo Euro 2004 na área da animação das cidades e pelo Programa de Dinamização das Aldeias Vinhateiras Vinhateiras do Douro. Até chegar à gestão do centro histórico do Porto, coordenou o Programa “Cooperar para Desenvolver – O Turismo do Norte em Rede” e foi consultor no Desenvolvimento Territorial da Área Metropolitana do Porto e Trás-os-Montes.
Acredita no poder transformador da cultura - com a sua dose de realismo. Admite: Guimarães é uma cidade pequena e ser Capital Europeia da Cultura é um evento de um ano só. Não tem como função salvar uma região. Mas acredita na mudança do espaço, das pessoas, do modo de ser viver lá. Admite: a fronteira entre o seu trabalho e a vida pessoal é ténue. Mas acredita no equilíbrio entre quem é e o que faz.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
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