Guimarães 2012

Berço de Portugal

2012 é o ano em que Guimarães será a Capital Europeia da Cultura, em conjunto com Maribor, na Eslovénia. A cidade no norte de Portugal prepara-se para receber artistas de todo o mundo e turismo em grande escala.

Uma equipa de arquitectos e gestores da área cultural tem o papel principal na actual preparação do projecto. Investigamos esta combinação de esforços pelas diferentes partes e como a comunidade está a reagir à mudança.

A Fundação Cidade de Guimarães, organizadora do evento, explica-o através de diferentes conceitos: arte, comunidade, pensamento e cidade.

A reportagem foca-se nas mesmas quatro áreas, adaptando-as. Se por um lado a Arte explora o trabalho constante dos arquitectos do Guimarães 2012, a Cidade exemplifica como se planeia o desenvolvimento do espaço urbano. A Comunidade é uma secção crucial na problemática: ouvimos a opinião de locais para saber o que de bom ou menos bom se espera. Por último, o Pensamento: o que tem vindo a ser feito e a existência, ou não, de um equilíbrio entre o que Guimarães tem capacidade para dar e receber o que o futuro reserva.

A imagem da Capital Europeia da Cultura é internacional, mas é localmente centralizada. O projecto Guimarães 2012 está a em fase de implementação. O nosso próprio projecto está em fase de conclusão.

Catarina Martins


Construir a Capital Europeia da Cultura

Faltam exactamente 578 dias para o arranque oficial da Capital Europeia da Cultura (CEC). À entrada de Guimarães, um painel anuncia a contagem decrescente para o evento. O objectivo do projecto é potenciar a troca de cultura e saberes entre a cidade milenar acolhedora e os convidados. O património de Guimarães tenta acompanhar os tempos modernos.


T-shirt relativa à cidade de Guimarães à venda no posto de Turismo.

A primeira candidatura remonta a 2007, com apresentação em Bruxelas. Antes da aprovação final, o projecto nacional foi alvo de uma revisão pela empresa consultora da Câmara Municipal de Guimarães, a Opium, Lda., então gerida por Carlos Martins. Actualmente, é o director do projecto internacional e o maior entendedor na gestão cultural e economia criativa necessária ao evento. Na sua opinião, não se trata de um grande festival lúdico: é um processo de transformação em que “a cultura e a arte são essenciais e têm de estar no centro da agenda política”.


Ana Bragança, Carlos Martins e Catarina Martins à conversa no Centro Cultural Vila Flor.

Pretende-se que todos sejam participantes: com ideias, com o seu tempo, com parcerias. Guimarães expande o seu património tradicional à modernidade. Conjuga memória com inovação. A Capital Cultural concilia várias áreas: arte, ensino, ambiente, qualidade de vida e empregabilidade, urbanismo e visibilidade, voluntariado e partilha de informações. Não se pretende alterar uma cidade: mas potenciar o que de melhor ela tem.

A promessa é a de que a novas estruturas são mais do que espaços a visitar – são locais de produção e de pensamento, enquadrados numa lógica de vivência do espaço urbano. Opõem-se à ideia de obras monumentais – são espaços necessários e com real utilidade. Tenta-se encontrar o equilíbrio entre o que os especialistas em urbanismo consideram essencial alterar e o que a população local vê como um risco para os seus espaços de trabalho e vivência quotidiana. Como a Arquitecta e docente universitária Maria Manuel Oliveira informa, existe alguma discussão e abertura em relação à mobilidade automóvel e pedonal na zona do Toural, a reabilitar. Foram realizados inquéritos quantitativos à população de forma a entender a melhor forma de actuação com os mínimos riscos. Acrescenta que a população já teve a oportunidade de assistir a algumas apresentações públicas sobre o projecto Guimarães CEC 2012.


Ana Parente e André Delgado no Centro de Estudos de Arquitectura da Universidade do Minho.


Maquete das cotas da praça do Toural.

Nesta lógica de envolvimento da comunidade, importa salientar o acordo entre a Fundação Cidade de Guimarães e a Universidade do Minho (UM). Em teoria, os alunos têm a possibilidade de participar activamente no projecto. Na prática, são os próprios profissionais do Guimarães 2012 que admitem alguma utopia nesta hipótese: o tempo de maturação do projecto não se adequa à actualidade do ensino superior. Requer dedicação e bastante tempo disponível, sendo tal difícil de coordenar com a realidade universitária. O próprio Gabinete de Inserção Profissional (GIP) da Associação Académica da UM desconhece qualquer oferta relativa à empregabilidade estudantil, não tendo sido efectuados nenhuns contactos directos com o GIP, desconhecendo qualquer outra ligação a membros da Universidade do Minho. Maria Manuel Oliveira retoma o tema do envolvimento, mas desta vez salientando o dos universitários: a sua participação directa é residual e não ultrapassa ocasionais trabalhos.


Gabinete de Inserção Profissional (GIP).


Mónica Dias e Betânia Ribeiro à conversa no GIP.

Mónica Dias faz o ponto da situação:


A Capital Europeia da Cultura perspectiva uma co-existência com as associações culturais do concelho vimaranense. Em termos práticos, espaços como a Associação Cultural e Recreativa Convívio enquadram a programação de Guimarães 2012 no seu agendamento.

A cidade encontra-se em estado de preparação. As ruelas enchem-se de edifícios em processo de reabilitação pela Câmara Municipal de Guimarães. O prazo final da requalificação é 2012: a Capital Europeia é o pretexto para as intervenções, que servirão de base ao evento que se prolonga por vários meses. Há consenso entre os arquitectos: mais do que natural, toda esta mudança é absolutamente necessária. Como recorda a Arquitecta Maria Manuel Oliveira, as últimas intervenções em termos de desenho urbano no anel que rodeia o centro histórico datam de meados do século XX. “É necessário repensar o uso urbano desta área central”. Junto aos edifícios históricos, várias placas anunciam que falta pouco para 2012. Nas praças do centro histórico, os locais indicam-nos o caminho para o Posto de Turismo, visto não se sentirem demasiado à vontade para falarem sobre o projecto: “sobre isso não lhe sei dizer muita coisa. Que nos traga turistas e menos obras, é o que se pede”. O tempo de vida de todo o processo de requalificação é o que a própria cidade ditar, como em qualquer obra, informam os especialistas da CEC.


Ruela do centro histórico da cidade de Guimarães.

A opinião de Maria Manuel Oliveira:

Excerto multimédia by mariabetania



Palácio Vila Flor, sede da Fundação Cidade de Guimarães.

Carlos Martins e Ana Bragança, da FCG, concluem o propósito da Capital Europeia da Cultura: “Não se pretende que Guimarães 2012 traga toda a mudança necessária à região, mas é sem dúvida alguma o impulso. O projecto não pretende resolver os problemas da cidade ou da região, mas tem consciência dos mesmos. O que faz é ilustrar possibilidades diferentes de vivência urbana.”


Arquitecta da Câmara Municipal de Guimarães, Alexandra Gesta.

Alexandra Gesta pondera sobre o potencial que a Capital da Cultura tem em gerar novos empregos:




Anúncio de uma das infra-estruturas da Capital Europeia da Cultura. 



Catarina Martins

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